Com a volta do feriadão a gente tem um presente!!!

Pra esse Backstage da Moda a gente entrevistou o Ricardo Oliveros do Fora de Moda, que foi super querido e respondeu todas as nossas perguntas com todo cuidado e sinceridade. Um post muuuito especial!

Nome: Ricardo Oliveros

Escolhi esta foto porque quando quero me inspirar vou andar na rua

Vc é uma pessoa multimídia. Conta pra gente um pouco do que vc faz?
Estou editor de estilo da Playboy,free lancer para outras revistas, escrevo para o Portal de Tendências do Senai, blogueiro, consultor de estilo, curador de artes plásticas, promoter, performer, trabalho para o Instituto Elos, uma ong de meio ambiente.

http://forademoda.wordpress.com/2008/08/07/saiba-sobre-o-outro-lado-do-muro/

Vc estudou arquitetura… como e pq foi parar na moda?
Quando estava fazendo mestrado em Arquitetura fui fazer um freela como produtor do site do Morumbi Fashion (atual SPFW). Depois fui editor do Supersite e comecei a cobrir as semanas de moda. O grande salto veio quando fui assistente da Regina Guerreiro, a Legendária. Foi com ela que resolvi que queria trabalhar com moda masculina.

O que acha do ensino de moda no Brasil?
As escolas de moda têm um papel fundamental no processo de profissionalização da moda brasileira, de produzir uma bibliografia nacional sobre o assunto. O problema é que a maioria quer formar o próximo Herchcovitch, quando poderiam formar a próxima grande modelista, o próximo grande comprador de uma rede de lojas. A engrenagem da moda tem tantas profissões importantes além de estilista…

Pq começou a escreveu um blog?
Há dois anos, a Mercedes Tristão da Na Midia organizou uma série de encontros chamados Tendências Contemporâneas onde todos tinham um blog, menos eu. Então decidi criar o Fora de Moda.

O seu blog tem um número enorme de acessos. Pq vc acha que isso aconteceu?
Quando comecei a escrever o blog foi um pouco antes do boom de blogues de moda. A mídia começou a debater sobre a importância deste veículo e divulgar os blogues. Mas não adianta divulgação se não tem conteúdo e se a gente não postar diariamente. Penso que quem acessa o Fora de Moda tem interesse por uma visão crítica e muito pessoal da moda. Estar inserido na rede de blogues também conta muito. Muito dos leitores chegam através de outros blogues, de posts que citam algo que escrevi, como a Lupa já fez.

Como é trabalhar na Playboy? O que tem de diferente de trabalhar em revistas específicas de moda?
Primeiro trabalho numa revista em que a moda nem de longe é foco principal do leitor. Temos que criar artifícios para que ele queira ver a moda, por isso, tem sempre uma mulher sexy nos editoriais.

Foto:Tarciso de Lima Stylist: Mauricio Mariano Produtor: Caio Garro

Segundo, com 100.000 assinantes em todo território nacional tenho que pensar numa moda que atinja desde o leitor da Zona Sul carioca, passando pelos Jardins e chegando em Pirapora do Mato Dentro, que não lê V MAN, Dazed, Encens. Além disto, procuro criar um estilo que diferencie dos outros títulos masculinos da Abril, como a VIP e a Men´s Health.

Foto: Renato De Cara e Christian Sievers Produção de moda:Caio Garro

Por fim, o homem médio brasileiro tem dúvidas muito básicas sobre o que e como vestir, então tem um lado didático. A maioria das pessoas que trabalham com moda, acha que faço uma moda muito careta, mas estou mais preocupado em que o homem se interesse pelo assunto e não assusta-lo com propostas que podem ficar bem em revistas específicas e em passarelas, sabe como?

Foto: Luis Crispino Still: Carlos Cubi Produção de moda: Sandra Godoy

Vc também trabalha com arte. Então diz pra gente…Moda é Arte?
Não! Sempre quando vem esta história, parece que a moda precisa do reconhecimento de uma outra área reconhecida para se afirmar. A moda é uma linguagem autônoma e que tem sua importância pelos seus próprios méritos. É um dos melhores documentos de sua época e pode lançar mão de qualquer outra linguagem para sua produção, inclusive a arte. Porém, uma roupa num museu, não a torna uma escultura. Continua sendo uma roupa. Dizer que um vestido é uma verdadeira obra de arte, é uma metáfora, não uma verdade.

O que te inspira?
Todos os clichês me inspiram: andar na rua, por do sol, cinema, natureza, amigos, exposições de arte, vida real. A Marie Rucki disse que nosso problema é que a gente olha, mas não enxerga. Penso que ela está certa. Não importa o que nos inspira, mas como isso nos atinge e nos faz querer fazer algo.

O que te irrita?
A lista é tão grande… na verdade eu sou muito mal-humorado disfarçado de alegre e simpático.

O que está lendo?
Eu leio tudo que cai nas minhas mãos sem preconceitos, de gibis a teses acadêmicas. Agora estou relendo Elegância do Fernando de Barros e Homens de Preto, de John Harvey, que conta a história da cor preta nas roupas através dos séculos.

O que está ouvindo?
Eu escuto muito pouca música em casa, sou silencioso. Gosto de música para dançar. Porém, adoro o clipe de I’m Throwing My Arms Around Paris do Morrissey. É de chorar.

Filmes preferidos?
The Pillow Book – Peter Greenway, Sunset Boulevard – Billy Wilder, Amor à Flor da Pele – Wong Kar-Wai, Toda a nudez será castigada – Arnaldo Jabor, Blue Velvet – David Lynch, Lei do Desejo – Pedro Almodóvar, O Leopardo – Luchino Visconti, Amarcord Frederico Fellini…

Os 10 sites/blogs que mais visita?
Google (não vivo nem escrevo sem uma googada)
Facebook (vício puro)
Twitter (notícias, notas e amigos em tempo real)
Google Reader (leio todo meu blogroll pelo Reader)
About Fashion (Luigi Torres é um dos melhores jornalistas de moda da novíssima geração)
Oficina de Estilo (as meninas redefiniram a importância dos blogues de moda, tem serviço, opiniões, seu lema moda da vida real é uma inspiração)
Chic: adoro os editoriais da Gloria e os textos da equipe incrível que o site tem)
Lílian Pacce: ao se cercar de gente jovem e talentosa, a Lílian se rejuvenesceu. Seus conhecimentos sólidos de moda ganharam sangue novo.
Uol Moda (A Carol Vasone é uma das mais importantes jornalistas da nova geração. É muito séria, tem um poder e agilidade de colocar críticas bem fundamentadas de desfiles, sejam no Rio, São Paulo ou Paris)
Última Moda (com o blog, tanto o Alcino quanto a Vivian podem escrever muito mais textos interessantes e opinativos que não tem espaço na coluna da Folha)

De quem você é fã?
Sou fã da tríade sacro-chique da moda brasileira: Regina Guerreiro, Gloria Kalil e Costanza Pascolato. Cada uma, por diferentes razões e visões, são nossa memória viva das transformações que a moda brasileira viveu nas últimas décadas. Elas começaram a trabalhar com moda quando ainda não tinha a infraestrutura que temos hoje. Trabalhei com a Regina e foi um grande aprendizado sobre como ver um desfile, as informações que precisamos para entender uma coleção e como editar uma revista. Com a Gloria trabalhei uma vez para o quadro dela no Fantástico, e ela é muito generosa com os conhecimentos que ela adquiriu. Além disto, é uma pessoa ótima para conversar, entrevistar. A Costanza está muito além da visão que todos tem da mulher mais elegante do Brasil. Ela é engraçada, inteligente, tem uma opinião sobre moda que se renova a cada estação, presta atenção nos jovens criadores, lê blogues de moda. Encontra-la é sempre uma alegria, uma celebração.

Qual seu lado B?
Eu não tenho lado A, tudo é pura encenação, uma coisa que aprendi tecnicamente. Sou puro lado B, bem suburbano. Adoro pastel de feira, amo televisão (assisto novela, todos os seriados).  Eu sou megahiperblaster bagunceiro. Minha cama depois de uma semana tem tanta coisa, que mal tem espaço para eu dormir.

A gente sabe que vc gosta de sair. O que tem de bom e o que tem de ruim na noite paulistana?
A gente adora reclamar da noite paulistana, mas basta passar uma semana fora em qualquer cidade brasileira, que vemos o quanto ela é diversificada. De bom agora tem os bares: Z, Sonique, Volt. Mas estou esperando a abertura do club da Flavia Ceccato, nova ala do D-Edge, o Pan Air, do Facundo,  que vão dar um up-grade na noite paulistana.

De ruim, gente grossa, espaçosa e mal-educada nas pistas e a lei antifumo. Sei que os politicamente corretos, os não-fumantes e os ex-fumantes adoraram esta lei. O bom é que os lugares vão se adaptar a lei e os fumantes vão poder sair e voltar dos lugares e a gente vai continuar a se divertir penkas enquanto os outros, não vão ter esta opção, tá?

O que falta para o mercado de moda brasileiro?
Do macro ao micro temos um longo caminho a percorrer.Tenho pensado que falta um plano sério do governo que reduzisse as taxas de impostos, IPI, etc, e que investisse ou pelo menos criasse incentivos fiscais para o desenvolvimento dos pólos de moda.Veja o que aconteceu com a indústria automobilística quando reduziu o IPI, o consumo aumentou e as fábricas voltaram a produzir. Outra coisa, é o preço das roupas. Como a roupa de qualidade média por aqui é tão cara !!!??? Por isso, a Zara é uma campeã de vendas. Por isso, a Renner está se reposiconando e fazendo sucesso.

Para ler a entrevista com o Thiago Ferraz clique aqui.

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» Blog Archive » Entrevista para a LUPA: saiba + o que penso sobre moda
22 de abril de 2009 às 8:57

{ 1 comentário… leia abaixo ou adicione um }

1 Ricardo Oliveros 22 de abril de 2009 às 9:25

Oi Myca, muito obrigado pela entrevista! Foi uma oportunidade de falar um pouco mais de moda, um assunto que para todos nós é muito sério!

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